Cirrose
Cirrose é o nome dado a várias afecções hepáticas do fígado, tendo como características comuns, a lesão crônica e irreversível do tecido hepático e incluem fibrose (que é um tipo de cicatriz) extensa, associada com a formação de nódulos de regeneração. Estes aspectos decorrem da necrose dos hepatócitos (morte e putrefação das cédulas típicas do fígado).
Os aspectos clínicos da cirrose derivam dos danos causados ao fígado e o quanto sobrou de tecido funcionante, podendo acarretar icterícia (a pessoa fica amarela pela impregnação dos pigmentos biliares que não são metabolizados), inchaço, distúrbios de coagulação e várias alterações metabólicas, enquanto a fibrose e a distorção de vascularização acarretam hipertensão porta e suas seqüelas, incluindo varizes de esôfago com sangramentos, e o aumento do baço. (As cicatrizes repuxam os vasos sanguíneos acarretando alterações na sua circulação, produzindo varizes como as que ocorrem nas pernas). Pode também ocorrer ascite, que é o acúmulo de líquido na barriga, alterações cerebrais e por fim a morte.
Existem vários tipos de cirrose devidos a várias causas: 1) Alcoólica - a mais comum - derivada da ingestão excessiva de bebidas alcoólicas; 2) Cirrose pós-hepatite viral; 3) Cirrose biliar, que pode ocorrer por obstrução por cálculos nos canalículos hepáticos; 4) Cirrose cardíaca, relacionada à insuficiência cardíaca grave, onde não ocorre circulação sanguínea adequada no fígado; 5) Cirrose relacionada a medicamentos (drogas que são metabolizadas pelo fígado e que acabam sendo tóxicas).
Apesar de o alcoolismo crônico ser sem dúvida uma das principais causas de cirrose, a quantidade e duração da ingestão de bebidas necessárias para causar cirrose ainda não foram definidas. Em geral pelo menos dez anos de consumo excessivo, porém cada organismo reage de um jeito. Apenas 10 a 15% dos alcoólatras evoluem para cirrose e isso sugere que também existem outros fatores que influenciam.
A doença é facilmente reconhecida pelo médico através da história clínica e exame físico, provas de função hepática que são exames de sangue, e também ultra-som e tomografia.
É importante lembrar que não há cura para a doença, havendo necessidade por vezes de transplante para evitar a morte. O fígado, já destruído não se recupera e o objetivo é fazer com que o mesmo não seja mais agredido.
Não tome medicamentos sem consultar seu médico, pois eles poderão atacar seu figado, e tome seu “chopinho” com moderação para que seu prazer dure muitos anos.
Dr Robinson Botelho de Faria é médico cirurgião torácico do Hospital Souza Aguiar – Produz e apresenta o programa Falando de Saúde veiculado em várias rádios comunitárias do Estado do Rio de Janeiro.
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