Sessão Magna Histórica
A Comércio e Artes sentiu-se honrada pelo convite do Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal, para a 1a. Sessão Magna Festiva Anual da A.:R.:L.: Nelson Carneiro, instalada a partir de 28/9/06, onde pela 1a. vez, após 184 anos, os trabalhos obedecerão ao Ritual de 1822 da "Commercio e Artes na Idade do Ouro", a Primaz do Brasil. Homenageados o Ex-Soberano Grão-Mestre Geral Ir.: Jair Assis Ribeiro e o Venerável Ir.: Robinson Botelho de Faria, da Comércio e Artes nº 0001, or.: Rio de Janeiro. Em sessão pública, homenagem à cunhada, Carmem Carneiro, viúva do Ir.: Nelson Carneiro. Os Maçons presentes receberam cópia do Ritual original de 1822, "Commercio e Artes, na Idade do Ouro", autenticada pelo Museu Imperial de Petrópolis, nesta sessão histórica.
( Veja o convite na seção "Galeria de fotos" )
APRESENTAÇÃO:
Foi com especial satisfação que o Grão-Mestre do GODF
atendeu à sugestão dos membros da Confraria dos Talhadores de Pedra no sentido de promover, anualmente, uma Sessão Magna Festiva de uma Loja
Licenciada, nos termos do 7º Landmark de Mackey, com o Título Distintivo de “NELSON CARNEIRO”.
A idéia de homenagearmos um Irmão notável, grande tribuno, jurista, escritor, membro da Academia Maçônica de Letras do DF, parlamentar combativo, paladino de grandes causas libertárias, como o Estatuto da Mulher
e a Lei do Divórcio, veio ao encontro da campanha que promovemos para o resgate do “Orgulho de Ser Maçom”.
Nessa reunião anual, que se pretende seja realizada próximo à Semana do Maçom ou à Semana da Pátria, marcos do civismo, estaremos homenageando, ainda, cidadãos que se destacarem na vida pública pela defesa
dos princípios, ideais e propostas abraçadas pela Maçonaria Universal, sejam eles, ou elas, Maçons ou não.
Nesse contexto, decidimos, a exemplo do que se faz há alguns anos no Grande Oriente do Brasil - Paraná e também na Maçonaria Unida do Rio Grande do Sul, marcar essa celebração pelo uso, apenas nessa ocasião, de
um Ritual Especial, em nosso caso o mesmo Ritual praticado na Loja Primaz do Brasil, em 1822, a R.:L.: de São João “Commercio e Artes na Idade de Ouro”.
É esse Ritual, resgatado do pó dos arquivos pelo notável
trabalho de pesquisa realizado pelo Irmão JOEL Guimarães De Oliveira, o mais novo membro da AMDL do DF (cadeira 44, patrono Nelson Carneiro), que o GODF agora coloca, pela primeira vez em 184 anos, à disposição dos Maçons brasileiros.
HELIO Pereira LEITE
Grão-Mestre
Ritual da R.:L.: de S. João “Commercio e Artes na Idade de Ouro” (1822)
UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA
Meu trabalho “Maçonaria e Independência – um estudo das Atas do Grande Oriente”, base do livro “Pela causa da Liberdade”, a ser brevemente lançado, foi apresentado em Loja (na A.:R.:L.:S.: de São João “Vigário Bartolomeu Fagundes”, nº2.312, ao Or.: de Brasília), para fins elevação, no início de outubro de 1999. Naquele momento, ainda não haviam chegado às minhas mãos documentos do Arquivo Histórico do Museu Imperial que poderiam corroborar, em definitivo, importantes conclusões obtidas a partir do estudo detalhado do texto integral daquelas Atas.
Somente em fins daquele mês, finalmente, recebi das Dras. Maria de Fatima Moraes Argon e Neibe Cristina Machado da Costa as 255 primeiras fotocópias de documentos por mim selecionados, todos do acervo do Museu Imperial de Petrópolis, um verdadeiro tesouro para um pesquisador da história, costumes e tradições de nossa Augusta Ordem. São documentos profanos e maçônicos, de variadas procedências e graus de interesse, todos autenticados pelo Arquivo Histórico do Museu, e que vêm sendo objeto de cuidadosa análise, para paulatina divulgação aos maçons brasileiros.
Foi grande, à época, a tentação de reescrever o texto inicial apresentado em Loja, para incorporar as revelações dos novos documentos. Entretanto, esse atalho adulteraria a pureza da exposição feita, que visava, basicamente, a demonstrar a afirmação, de que:
“Mesmo sem acesso ao calendário pessoal do Imperador, como vamos demonstrar, teria sido possível concluir pela validade da hipótese do início do ano maçônico de 1822 em 24 de março, pela simples leitura atenta e crítica das atas!”
Da mesma forma, haveria o risco de serem deixadas de lado algumas linhas de raciocínio seguidas no exame das atas, ofuscadas pelo ineditismo das provas ora acrescentadas, como, por exemplo, pela polêmica que se seguiria ao debater sobre os rituais da época. Assim, optei por divulgar as novas descobertas através de um adendo, um Post Scriptum.
Devo esclarecer que, do material recebido, alguns são rituais, manuscritos, dos graus de Companheiro e Mestre Maçom, que certamente seriam considerados, por um escritor profano, mera curiosidade. Como Aprendiz Maçom, à época, preferi deixá-los de lado, em respeito às velhas tradições, até que, ascendendo a esses graus, me sentisse autorizado a manusear essas preciosidades de nossa história maçônica. Entretanto, fiz uma seleção de alguns documentos, os de interesse imediato para o tema e o grau do trabalho, os quais incluí no Post Scriptum.
Um desses documentos é esta relíquia, cuja existência permaneceu insuspeitada pelos historiadores maçônicos nestes últimos 184 anos, e que ora é brindada aos Irmãos por iniciativa do Eminente Grão-Mestre do GRANDE ORIENTE DO DISTRITO FEDERAL.
Será usada novamente, passados quase dois séculos, pela A.:R.:L.:S.: Licenciada de São João “Nelson Carneiro”, quando reunir-se, anualmente, para celebrar a Semana do Maçom, por convocação do nosso Grão-Mestre, nos termos do Landmark nº 7, da compilação de
Mackey (1).
1 Landmark nº 7: “A prerrogativa que tem o Grão Mestre de autorização para fundar e manter Lojas é outro importante LANDMARK. Em virtude dele, pode o Grão Mestre conceder, a número suficiente de Mestres”
O RESGATE DE UM PASSADO HISTÓRICO
Trata-se de um exemplar manuscrito do Ritual de Sessão Econômica da Loja Primaz do Brasil, a “Commercio e Artes na Idade de Ouro”!
São apenas quatro páginas, mas preciosas. É sabido que os mais respeitados historiadores maçônicos têm discutido sobre qual seria o Rito adotado na “Commercio e Artes” e no Grande Oriente, em 1822. Alguns nos dizem que era o Adonhiramita, outros nos dizem que era o Francês ou Moderno.
Com esta contribuição, neste momento, publicando os fac-símiles do ritual que era utilizado naquela loja, esperamos estimular o debate e a pesquisa. Futuramente, discutirei alguns pontos muito interessantes sobre essa questão, à luz de outros documentos, alguns franceses, que tenho em meu poder.
Por enquanto, chamo a atenção, apenas, para um pequeno, mas muito importante detalhe. O ritual era MANUSCRITO. Outros rituais em meu poder, da Loja “Esperança de Nictheroy”, também. Apenas D. Pedro, o Irmão Guatimozim, depois Imperador e Grão Mestre, teve o privilégio de receber um Ritual impresso, que era uma raridade no Brasil de então (e do qual também recuperamos uma cópia integral).
Daí não ser difícil compreender a dificuldade que aparece na ata da 10ª Sessão do Grande Oriente Brasílico, onde Ledo ponderou, por parte da Comissão nomeada para conferir os altos ggr.:, que “... havendo a Gr.: Loj.: accordado dar o gr.: de Eleito Secr.: aos IIr.: filiados nos nossos quadros, constituidos em os ggr.: de MMestr.: PPerf.: 1º, 2º e 3º Eleitos pela Maçonaria dos 13 ...” era por ora impossível porque “... tendo a Maçonaria dos 7 reduzido os ggr.: desde Mestr.: Perf.: até Eleito dos 15 ao de Eleito Secret.: não havia os necessarios reguladores para a iniciação deste gr.:” Imaginem o que seria o trabalho de reproduzir esses reguladores pelo sistema de cópias manuscritas...
JOEL Guimarães De Oliveira, M.:M.:
Gr.:Secr.:de RRel.:MMaç.:EExt.: do G.:O.:D.:F.:
GRANDE ORIENTE DO DISTRITO FEDERAL
A.:R.:L.: Licenciada de São João “Nelson Carneiro”
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